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Desafios para a restauração dos campos e savanas do Cerrado. O que já sabemos?



Como o Cerrado já perdeu cerca de 70% da sua cobertura original, ações de conservação são urgentes, mas não suficientes, pois existem muitas áreas que precisam ser restauradas. Nas últimas décadas, várias alternativas de restauração foram testadas e, agora, precisamos entender o potencial de cada uma delas para traçarmos planos para o futuro desse importante bioma brasileiro. Assim, analisamos um amplo conjunto de dados de áreas em processo de restauração no Cerrado, considerando 5 estados e o Distrito Federal. Comparamos o quanto que essas áreas em restauração estavam parecidas com áreas conservadas (campos e savanas do Cerrado, fisionomias predominantes no bioma). Em cada área avaliamos a eficácia de técnicas de restauração passiva (regeneração natural) e ativa (semeadura, plantio de mudas de árvores, transplante de plantas, raízes e solo).


O Cerrado é muito rico em espécies, mas também em tipos de plantas, assim precisávamos entender o sucesso de cada técnica considerando: capins nativos, arbustos, subarbustos (planas que parecem ervas, mas possuem lenho abaixo do solo), ervas e árvores. Nossos principais resultados nessa empreitada foram que a quantidade de espécies típicas do Cerrado (capins, ervas e arbustos) não aumentou com o tempo em áreas onde somente a regeneração natural foi assistida.


Esse resultado mostra que essas espécies possuem limitações para colonizar áreas degradadas e que com o tempo a riqueza não vai aumentar. Portanto, a restauração passiva permitiu a conservação de um número limitado e espécies típicas (geralmente árvores e arbustos que apresentam alta capacidade de rebrota). Ainda, a recuperação dessas espécies lenhosas depende do quanto o solo foi modificado e se ainda existem raízes com capacidade de rebrota. Para as técnicas de restauração ativa, encontramos que a semeadura e transplante de plantas e solo conseguiu recuperar maior diversidade de espécies típicas do Cerrado. Cada técnica sendo favorável para um tipo específico de planta (figura 1).

Com esse estudo entendemos que a combinação de diferentes abordagens de restauração pode levar a uma comunidade vegetal com riqueza e proporção de espécies típicas mais parecida com uma área natural conservada. O desafio agora é unir esforços e criatividade para testar diferentes combinações de técnicas em larga escala.



Natashi Pilon

Pós-Doutoranda (Instituto de Biologia/UNICAMP)

Natashi estuda a ecologia e restauração de fitofisionomias

campestres e savânicas do Cerrado. Conhece muito

bem as espécies de planta do Cerrado, em especial, as

pequeninas!

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